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ANA MARIA GONÇALVES E MARCELINO FREIRE COMENTAM PRESENÇA DA ORALIDADE EM SUAS OBRAS NA ÚLTIMA MESA DO FLI-BH

 

 

Mesa “Das oralituras aos nossos quintais: a escrita para além do livro”, Marcelino Freire (foto) e Ana Maria Gonçalves – Foto: Maíra Cabral

 

Apesar do seu papel central na literatura, a palavra também perpassa outras manifestações importantes como a oralidade e as memórias. Muitas escritas transcendem esses limites e se revelam de maneira muito forte no trabalho de diversos autores, como é o caso dos convidados da mesa “Das oralituras aos nossos quintais: a escrita para além do livro”, Marcelino Freire e Ana Maria Gonçalves. Em uma conversa mediada pelo escritor e contador de histórias Samuel Medina, os autores discutiram a presença e a importância da fala em suas obras.

Ana Maria Gonçalves destacou a oralidade em seu romance “Um defeito de cor”, onde a história é narrada por uma mulher negra. “Depois de mudar a voz do narrador várias vezes, manter a narrativa em primeira pessoa foi uma decisão que dá voz à uma mulher negra, muito inspirado pelas falas da minha avó, então o leitor tem uma mulher negra falando por horas, algo que a sociedade brasileira não está acostumada”, comenta a autora.

Marcelino Freire também ressalta a presença oral em sua obra, revelando que ela é fortemente inspirada pelas mulheres nordestinas de sua família. “Tudo que escrevo compactua com a minha fala. Minha literatura registra uma casa barulhenta e sertaneja, com a memória da minha mãe, que vivia sempre agoniada e muito dramaturga. A velocidade da fala também é transportada para a minha escrita”, conta.

Além da fala, o corpo e suas movimentações foram destacados pelos escritores como um artificio importante para a escrita e para a leitura. “A memória que carrego comigo está gravada no meu corpo e não traduz apenas em arte e escrita. É ela quem define o meu posicionamento de mundo”, diz Ana Maria Gonçalves. Marcelino Freire complementa sua fala revelando a intensidade do processo de escrita. “Um escritor escreve com o corpo todo, não só com as mãos e a cabeça. É a inquietação corporal que garante a entrega. A inquietação que passa pelo corpo é que emociona a literatura”, conclui.