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IMPORTÂNCIA DA LITERATURA EM MOMENTOS AUTORITÁRIOS É TEMA DE CONVERSA ENTRE MARIA VALÉRIA REZENDE E MARCELO RUBENS PAIVA NO FLI-BH

 

Mesa “Ainda estamos aqui: A escrita e a leitura literária em tempos de turbulência” – Foto: Maíra Cabral

Com a presença dos escritores Maria Valéria Rezende e Marcelo Rubens Paiva, a mesa “Ainda estamos aqui: A escrita e a leitura literária em tempos de turbulência”, realizada na programação de sábado no FLI-BH, discutiu o papel contestador e instigante da escrita e da leitura, uma das muitas possibilidades da literatura. O bate-papo, mediado pela poeta mineira Adriane Garcia, expôs a importância dos livros se comunicarem com os leitores de forma clara e direta, principalmente ao dar conta de narrativas que dialogam com a construção de um país democrático.

Um dos destaques da fala de Maria Valéria Rezende foi sobre a perspectiva de que o Brasil não cultiva o hábito de leitura. “Precisamos questionar o fato de que o brasileiro não lê. O brasileiro não tem acesso ao livro, mas ler não está apenas no papel e na tinta. O contato com a literatura não depende do livro, pois em um país de dimensões tão continentais, temos histórias, lendas e ditados que também são uma forma de escrita”, destaca a escritora.

Marcelo Rubens Paiva também destacou outras formas de leitura que começam a se tornar populares no país, como os audiobooks. “Mesmo num momento em que a tecnologia toma o lugar da contemplação, novas formas de ler histórias vão surgindo, e é por isso que a literatura nunca vai morrer. As pessoas gostam de histórias”, ressalta o autor. Questionado sobre a importância da literatura em momentos de retrocessos no que diz respeito à conquista de direitos para minorias, Marcelo destacou o papel da literatura. “A literatura é uma forma de registro da história. Mesmo em narrativas de ficção, existem contextos reais usados como cenário e os personagens podem ser sínteses de figuras reais”, conta.

Maria Valéria complementa a fala do colega dando a literatura uma maneira de dar visibilidade às pessoas apagadas pelas narrativas da sociedade. “Para entender o funcionamento de uma cidade ou de um país é preciso entender o povo. E é por isso que a literatura não é só a escrita. Está presente nos outros sentidos humanos, como a observação e a escuta. A literatura é a voz dos vencidos e a arte resiste justamente por ser provocadora e buscar enxergar o outro lado”, conclui.