icons8-instagram.png
icons8-facebook.png
   

Sérgio Vaz fala no FLI-BH sobre a poesia como transformadora do espaço urbano

 

Bate-papo “Territórios poéticos – a democratização do espaço urbano pelos movimentos literários” – Foto: Maíra Cabral

 

O poeta, agitador cultural, cofundador do Sarau da Cooperifa e escritor Sérgio Vaz (SP), participou do FLI-BH no começo da noite de quinta-feira, 26 de setembro. O bate-papo teve como tema “Territórios poéticos – a democratização do espaço urbano pelos movimentos literários”. A mediação foi da multiartista, poeta marginal e artista visual Zi Reis e o encontro foi realizado no Teatro Francisco Nunes.

 

Sérgio atua como poeta na Cooperifa há 18 anos, no Parque Santo Antônio, localizado no extremo sul da capital paulista. A região foi considerada em 1996, como a mais violenta do mundo. Naquela época, os moradores tinham vergonha e eram discriminados por morar na localidade. “Quando surgiu o Sarau, as pessoas começaram a aparecer. Realizamos o evento num bar, pois é o lugar onde a gente se encontra para discutir as coisas da vida e os problemas da comunidade. O bar era para nós como um centro cultural, só precisamos resignificá-lo”, comentou. O espaço recebeu também uma sala de cinema e uma biblioteca. Atualmente, a Cooperifa promove ainda um festival de jogos e saraus nas escolas.

 

“O sarau e a literatura periférica mudaram a cara do bairro e passaram a ser parte importante das nossas vidas. Hoje as pessoas têm orgulho de falar que moram onde é a Cooperifa.”, afirmou o escritor. Sérgio explicou que para chegar à periferia foi preciso tirar a literatura e o cinema do pedestal. “A partir daí, conseguimos usar a poesia como ferramenta para reconstruir pessoas e lugares”, destacou.

 

Zi Reis apontou que a experiência da Cooperifa foi uma das principais inspirações para a criação do Sarau Vira-lata. E que, para ela, falar de literatura periférica e de saraus e reapropriar o espaço público é tratar de temas que envolvem os direitos humanos. “Essas são as pautas que o sarau e o movimento trazem pra rua”. Para Sérgio, essas temáticas fazem parte da rotina. “De alguma forma, os saraus já abordam o machismo, o racismo e a homofobia”.