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VOZ DA CURADORIA

 

DO LIVRO À VOZ: NARRATIVAS VIVAS   

 

Ao considerarmos  que  a palavra  (escrita, impressa e/ou falada) se configura em narrativas vivas, também  afirmamos, implicitamente ou não, que estas mesmas  narrativas possam estar com – e para além, do livro.  

      Pensando nesta premissa é que o Festival Literário Internacional de BH, o FLI-BH, chega a sua terceira edição, com o compromisso de tornar também visível o espaço da oralidade, reconhecendo nela a origem da própria Literatura. Herança dos povos griots e de diferentes povos ágrafos, mas não menos criadores de suas narrativas. Reconhecer a criação literária como um ato de resistência é considerar o quanto é emergencial a retomada da Literatura para além do âmbito privado, para além dos espaços acadêmicos. Sem, de forma alguma, minimizarmos a importância do objeto livro. Não temos dúvidas de que, com e pela Literatura, possamos encontrar saídas para não perpetuarmos invisibilidades históricas. Mas para quê? Para, no mínimo, não nos desumanizarmos e não nos tornarmos autores e cúmplices de barbáries. Este é também mais um objetivo desta edição: afirmar nossa cidadania e caráter de aquilombamento! Afirmar que somos cidadãos, e que não estamos sós. E de que o poético que abarca as nossas subjetividades – e que nos é negado na realidade cotidiana – possa aqui se transformar em um banquete vasto e plural que congregue e abarque personagens múltiplos, diversos, reinventados.

       Por isso, quando apresentamos o poeta mineiro Adão Ventura, como o nosso grande homenageado, e destacamos como menções honrosas Leda Maria Martins e Ailton Krenak, pensamos igualmente em pluralidade e singularidade. De “A cor da Pele”, de Adão Ventura, percorrendo as Oralituras, da obra de Leda Maria Martins, ao ativismo constante do ambientalista   Ailton Krenak, vemos onipresente o encontro da escrita para além do livro. Nas obras e vida de cada um deles permanece o respeito e  fidelidade  à palavra falada, e um intenso diálogo cultural que nos fazem “ver” para além das imagens. Ou mesmo “ler” para além das letras. Vozes múltiplas – e intensas – que afirmam sua presença literária, na terra, na vida, nos encontros. 

        Simplesmente porque com e pela Literatura somos sujeitos das nossas narrativas. E assim reivindicamos, ponto a ponto, corpo a corpo, um presente e futuro possível nas ágoras de agora. Que ao mesmo tempo escreve e nos inscreve, na história, como seres singulares. 

     E plurais.

 

A curadoria

Marilda Castanha e Nívea Sabino